segunda-feira, 4 de maio de 2009

Pecado Original #1 - Guerra de "eus"

Olá caros irmãos,

Começo neste post, uma série de 4 artigos sobre o pecado. Pretendo me atrever a abordar os seguintes temas:

Guerra de "eus" - uma tentativa da definição teológica do que é pecado e o que significou a queda.

Declínio da humanidade - falarei sobre a manifestação do pecado ao longo da história e como ele se repetiu durante a narrativa bíblica.

A culpa também é nossa - tentaremos alcançar as raízes mais profundas do pecado nas igrejas cristãs e mostrar que somos tão culpados quanto Adão ou qualquer outro personagem da história.

A resposta Divina - o próprio tema já diz, buscaremos qual foi a resposta que Deus deu para a queda da humanidade.

Para começar, vamos acompanhar dois trechos do texto de Genesis:

Gênesis 2:15-17

15 O Senhor Deus colocou o homem no jardim do Éden para cuidar dele e cultivá-lo.
16 E o Senhor Deus ordenou ao homem: "Coma livremente de qualquer árvore do jardim,
17 mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque no dia em que dela comer, certamente você morrerá".

Gênesis 3:1-9

1 Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais selvagens que o Senhor Deus tinha feito. E ela perguntou à mulher: "Foi isto mesmo que Deus disse: 'Não comam de nenhum fruto das árvores do jardim'?"
2 Respondeu a mulher à serpente: "Podemos comer do fruto das árvores do jardim,
3 mas Deus disse: 'Não comam do fruto da árvore que está no meio do jardim, nem toquem nele; do contrário vocês morrerão' ".
4 Disse a serpente à mulher: "Certamente não morrerão!
5 Deus sabe que, no dia em que dele comerem, seus olhos se abrirão, e vocês, como Deus serão conhecedores do bem e do mal".
6 Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu também.
7 Os olhos dos dois se abriram, e perceberam que estavam nus; então juntaram folhas de figueira para cobrir-se.
8 Ouvindo o homem e sua mulher os passos do Senhor Deus que andava pelo jardim quando soprava a brisa do dia, esconderam-se da presença do Senhor Deus entre as árvores do jardim.
9 Mas o Senhor Deus chamou o homem, perguntando: "Onde está você?"

Caros, o primeiro ponto que eu gostaria de chamar atenção é para a o conhecimento do bem e do mal. Este raciocínio, foi 80% inspirado numa mensagem do Ed René Kivitz sobre "O grande 'Eu Sou' e o pequeno 'eu'". *

Alguns pensadores, dizem que o homem antes da queda era apenas um fantoche, um "pau mandado". Antes da queda ele fazia apenas tudo que Deus queria e mandava, após a queda seus olhos se abriram e então ele passou a ver as diversas possibilidades que lhe era apresentadas.

Estes mesmos pensadores relacionam o "conhecimento do bem e do mal" com a completa ignorância sobre o que é bem e sobre o que é mal. Mas o fato é que o próprio texto nos deixa uma pista de que Adão (leia-se humanidade) sabia o que era bem e o que era mal. Adão sabia muito bem que comer do fruto era mal, e não comer era bem. Ele conhecia seus limites, sabia que viver no jardim era bem, comer do fruto e desobedecer a vontade de Deus era mal.

Com isso podemos concluir que por mais que desconhecida, a prática do mal lhe fora citada, apresentada, alertada e desaconselhada.

Neste ponto da história vemos o surgimento de 2 grandes conflitos da humanidade: o primeiro, a pré-disposição do ser humano a crer apenas naquilo que vê, e o segundo conflito, que também pode ser considerado uma das consequências do primeiro, é querer tomar o lugar de Deus.

Calma! Vou explicar, porque que eu cheguei nestes dois grandes conflitos da humanidade.

Para explicar, utitlizarei o versículo 6 de Gênesis 3:
6 Quando a mulher viu que a árvore parecia agradável ao paladar, era atraente aos olhos e, além disso, desejável para dela se obter discernimento, tomou do seu fruto, comeu-o e o deu a seu marido, que comeu também.
Parece que esta foi a primeira vez que a humanidade decidiu confiar apenas no que vê. Não sabemos se Deus se apresentava de forma física até então. Penso que não, apesar dos relatos de passeios pelo jardim. Isso não vem muito ao caso, o fato é que a mulher comeu do fruto por ter visto que não fazia mal à serpetente, portanto concluiu que também não lhe faria. Viu também que era agradável e parecia saborosa.

O homem passa, então, a definir o que lhe é cabível a partir do que vê e experimenta, e não mais do que Deus lhe revela. Isso significa que passamos a depositar nossa fé no que é visível, no que é palpável.

O segundo grande conflito está na segunda parte do versículo onde diz que o fruto parecia desejável, para dele se obter discernimento. Caindo na conversa da serpente de que Deus temia que a humanidade comesse do fruto pois teríamos o mesmo conhecimento que Ele.

Neste exato momento, acontece um fenômeno, onde o homem passa a enxergar Deus como sendo pequeno. Não se deu conta que se Ele mesmo criou aquela árvore, por que temeria que comessem do fruto, com o susposto risco de ter "concorrentes" igualmente poderosos?

Até então a vontade de Deus era a realidade do planeta. Quando o homem fazia algo, fazia dentro da vontade divina. No comer do fruto o homem passa a reivindicar autonomia de decisões e também de conceitos. Antes Deus dizia o que era bem e o que era mal, agora o homem passa a dizer mesmo que contrariando a Deus.

Deus dizia - "Comer do fruto é mal", o homem diz - "Não, comer do fruto é bem. Não comê-lo é que seria mal". Deus diz - "Cuide de sua mulher, ela foi feita com sua carne", o homem diz - "Foi ela Deus! Ela que me deu do fruto!". Neste ponto concretizou-se o que a serpente havia dito: "vocês, como Deus serão conhecedores do bem e do mal". Não por sabermos o que é bem e mal, mas porque definiremos a partir da queda o que é bem e o que é mal para nós. Deus nos apresenta sua vontade, nós a negamos e dizemos que nossa vontade é superior. Deus se revela a nós como "Eu sou" e o homem diz: "eu também sou".

Portanto este fator, esta "chave" que foi ativada, este "click", rege o comportamento de toda a humanidade. Nosso planeta está populado de vários "pequenos eus", dizendo o que é certo e o que é errado. O que transformou-se numa tremenda bagunça, pois o que é certo para mim, não é para você ou poder ser parcialmente certo para Fulano e uma grande heresia para Beltrano.

Por isso vivemos numa grande guerra de "eus", e a maneira mais fácil de identificarmos se estamos em pecado hoje em dia, é avaliarmos se nossas atitudes são tomadas pelo nosso "eu", ou se são tomadas como um corpo. Todos os pecados derivam da voz do nosso "pequeno eu", ao passo que a vontade divina manifesta-se sempre numa vida conjunta, comunitária, como um grande organismo vivo formado por toda humanidade.

Espero que dentro de minhas limitações, tanto de organização de idéias, quanto para escrever, eu tenha conseguido me expressar de forma clara.

Deixo um link de um video de um grupo de crianças que entenderam que Deus nos criou para sermos como um único organismo: http://www.youtube.com/watch?v=jYfgXLDCseM

Graça e Paz
Carlos Zillner

* - Mensagem pregada em meados de 2007, é possível que se encontre algum CD na própria Igreja Batista da Água Branca. Não ouvi novamente a mensagem para reproduzi-la, pois, nem era esta a itenção. Como na época ouvi e assimilei de forma profunda o que foi falado, já nem sei mais o que é do Ed e o que veio de minhas próprias reflexões. Mas achei que seria justo comentar o fator que me inspirou a pensar assim.

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