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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Eclesiologia Brasileira por Ariovaldo Ramos

Como o assunto do momento é este, estou colocando este video do Ari que fala um pouco sobre como a igreja mudou seu foco e como chegamos onde estamos.

Vale a pena assistir... em breve vou colocar em HD.

Créditos para www.lifestream.com.br galera que tem feito um ótimo trabalho, registrando os principais congressos de teologia brasileiros em dvd e audio.


Eclesiologia Brasileira - Ariovaldo Ramos from Carlos Zillner on Vimeo.

sexta-feira, 10 de abril de 2009

A igreja de atos era institucionalizada?

No post O perigo da fé cega, o Isaque me deixou uma pergunta muito interessante:

olá Carlos. Muito legal seu ponto de vista. Estou comecando a acompanhar agora seu blog. posso?
Quando comecei a ler seu blog, me veio a pergunta: "você não acha que o livro de Atos nos aprensenta a igreja primitiva de alguma forma institucionalizada? fico pensando na ordenação dos diáconos (at.6.1-7), nas várias funçoes eclesiásticas (at.13.1), no sistema litúrgico ensinado por Paulo (1Co. 14.26-40), na ordenação de líderes para o corpo (Tt 1.5).... etc.

Gostei... muito boa pergunta. Vou colocar abaixo minha resposta, aqui com algumas detalhes a mais:

Opa... por favor, acompanhe. É muito bom saber que existem pessoas acompanhando, senão desanima...hehe. Além do que é bom debater, isto molda nossa opinião, consequentemente nossa vida.

Sim... de alguma forma sim. Não sou anti-instituição. Instituição no sentido puro da palavra é apenas uma forma de se organizar em sociedade. Mas nos dias de hoje ela é acompanhada por uma outra palavra: "burocratização".

Hoje para vc participar de certas comunidades, vc tem de passar por etapas e mais etapas, mostrar q vc é um super-humano, só assim vc terá acesso ao santo dos santos.

Mas...voltando para atos. Deixo uma ou algumas perguntas para vc pensar:
  •  A igreja de Jesus era a mesma dos apóstolos? 
  • A institucionalização (maneira de se organizar) teve diferença após o pentecostes?
Agora uma outra pergunta que eu acho fantástica: 
  • A institucionalização está nos atos relatados no novo testamento, ou na nossa maneira de interpretar?
Por exemplo... a santa ceia, por Jesus era comunhão, nas nossas mãos virou ritual (e pra piorar, sem comunhão).

O dízimo no antigo testamento era sustento da casa de Deus. No novo testamento, sustento da comunidade. Nós transformamos em ritual (sacralizando) e voltamos para o antigo testamento, sustentando a casa de Deus (e seus poderosos sacerdotes) e não mais o corpo. Onde foi parar o tal do sacerdócio universal?

Percebe como nossa carga religiosa deturpa a bíblia? Da mesma forma comento os textos que deixou:

At 6:1-7 - A ordenação de diáconos era para dar suporte a viúvas e necessecitados em meio aos discípulos. Nós transformamos em seguranças do templo.

At 13-1 - No novo testamento, cada um tinha funções para mantimento da comunidade, visando crescimento espiritual e prática dos ensinamentos de Cristo no dia a dia. Transformamos isto também. Pegamos todas as funções eclesiásticas e dissemos que pagariamos uma pessoa para cumpri-las. Colocamos o nome desta pessoa de pastor, o reverenciamos, e o pedimos para exercer tais funções para mantimento de nossa religiosidade aos domingos. Por desencargo de consciencia pensamos estar agindo como igreja e sendo cristãos pois pagamos alguém para viver em Cristo por nós.

1Co.26-40 - Paulo não faz um sistema liturgico, ele ensina que apesar da liberdade que temos em Cristo devemos ter medidas para que a manifestação seja de fato Divina. O relato de Paulo é um alerta para temos ordem quando reunidos. Pelos neo-pentecostais, isto não foi transformado, foi ignorado. Pelos protestantes foi transformado em sagrado onde os cultos passam a ter roteiro imutável e nós é que direcionamos (ou tentamos) o Espírito Santo para onde ele deve soprar.

Tt 1.5 - Sobre este texto é até desanimador comentar. Nós estamos extremamente longe de o fazer. Primeiro porque ordenamos presbíteros que são santos aos domingos. De segunda a sexta o cara bate na mulher, tem filho drogado, tem amante, rouba do caixa da empresa. Isto infelizmente porque não vivemos juntos, não somos comunidade, com excessão dos domingos. Por isto nosso conceito de integridade é baseado na imagem e não no viver. Em tito é pedido que sejam ordenados pessoas para organizar comunidades, transformamos isto em pessoas que tem poder e hierarquiazamos o corpo de Cristo. Sendo que na bíblia vemos apenas uma hierarquia de poder, Cristo é o cabeça, o resto é corpo.

Cada vez pedindo mais por misericórdia
Carlos Zillner

quarta-feira, 18 de março de 2009

O perigo da fé cega

Algumas pessoas me perguntam porque eu não planto igrejas, porque eu não começo a fazer algo organizado da maneira que vejo o evangelho.

A resposta é simples... pois tenho medo de que me entendam errado. Tenho medo de pensarem que sou algum líder ou pastor. Tenho medo de ser o motivo de pessoas perderem o foco. Tenho medo que me tenham como um pequeno deus.

Talvez um dia eu tenha maturidade e perca este medo. Talvez algum dia Deus me permita participar de uma verdadeira comunidade. Mas acho que quando isso acontecer será natural.

A verdade é que apesar de crítico, tenho que tomar muito cuidado para não cair nos mesmos erros que muitos caem por ai. Ariovaldo Ramos diz que a institucionalização das comunidades é inevitável, é assim que o homem sabe se organizar. Não sei se concordo. Pode ser... mas lá no fundo da minha alma, tenho uma esperança de que não precise ser assim. Creio que ser igreja é viver, e viver é simples, não precisamos de votação para ver quem vai levar o lixo pra fora, ou pra ver quem buscará as crianças na escola. Talvez precisemos de votação para algumas coisas, ainda assim não significa institucionalização, um pai pode fazer uma votação para ver quem prefere ir pra praia ou prum parque de diversões.

Não precisamos nos fechar numa comunidade que se julga santa demais para estar na Terra. Não precisamos ter um nome, que não seja o nome daquele que seguimos. Não precisamos ter cargos e hierarquias, apenas fazemos o que conseguimos fazer, praticamos e usamos o que nos foi dado como dádiva. Não precisamos ter ritos impensados, nem de ídolos reverenciados.

Uma comunidade que se fecha, guardando leis e normas tidas como verdade absoluta é sinônimo de desgraça. Creio que Deus nos quer vivendo juntos, mesmo crendo em coisas diferentes. Quando a idéia de uma pessoa se torna lei irrefutável, vidas serão ceifadas. Seja vida física ou espiritual.

Estejamos alertas
Carlos Zillner

Vejam a matéria que me inspirou para este texto: http://tr.im/hwfD

quinta-feira, 5 de março de 2009

Hierarquia eclesiástica, segundo Jesus

Mateus 23

1 Então falou Jesus à multidão, e aos seus discípulos,
2 Dizendo: Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus.
3 Todas as coisas, pois, que vos disserem que observeis, observai-as e fazei-as; mas não procedais em conformidade com as suas obras, porque dizem e não fazem;
4 Pois atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem aos ombros dos homens; eles, porém, nem com o dedo querem movê-los;
5 E fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens; pois trazem largos filactérios, e alargam as franjas das suas vestes,
6 E amam os primeiros lugares nas ceias e as primeiras cadeiras nas sinagogas,
7 E as saudações nas praças, e o serem chamados pelos homens; Rabi, Rabi.
8 Vós, porém, não queirais ser chamados Rabi, porque um só é o vosso Mestre, a saber, o Cristo, e todos vós sois irmãos.
9 E a ninguém na terra chameis vosso pai, porque um só é o vosso Pai, o qual está nos céus.
10 Nem vos chameis mestres, porque um só é o vosso Mestre, que é o Cristo.
11 O maior dentre vós será vosso servo.
12 E o que a si mesmo se exaltar será humilhado; e o que a si mesmo se humilhar será exaltado.
13 Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando.


Bom... não quero que pensem que sou um revoltado, que está contra a instituição evangélica, longe disso. Mas que esse texto deveria ser mais lido, deveria. Não só pelos evangélicos, mas por todos os cristãos.

Reparem nas palavras de Jesus. Não devemos ter ninguém na terra por rabi, mestre ou pai. Em outras palavras, rabino, pastor ou padre. Parece até que Jesus sabia que nomes usaríamos, quer dizer... ele sabia. hehe

Mas se Jesus está fazendo esta afirmação e nossa estrutura eclesiástica está inteiramente baseada na figura do pastor, o que fazer?

Vou deixar a pergunta no ar... a gente vai discutindo aos poucos.

Graça e Paz
Carlos Zillner

domingo, 11 de maio de 2008

O Senhor é meu pastor

Já se perguntaram sobre o papel de um líder religioso?

Em todas as religiões do mundo temos alguém que é visto como a voz de comando.

Como nosso objetivo envolve a fé Cristã, vou abordar as denominações cristãs para fazer esta análise.

A igreja cristã, dentre diversas crises e transformações instituiu como voz de comando aquele a quem hoje chamamos de papa. O protestantismo trouxe uma reflexão sobre a sua autoridade e após alguns séculos vemos o protestantismo e o evangelicalismo sem nenhum papa, mas sim, com muitos papas. Um em cada templo.

Podemos encontrar diversas maneiras usadas pelas mais diversas placas de igreja para nomear a tal voz de comando. Pastor, padre, apóstolo, bispo, reverendo, missionário, vice-deus, etc.

Sendo pelos motivos evangélicos, católicos ou protestantes. Será que é isso mesmo que a bíblia nos mostra? O que afinal é o pastorado? A igreja primitiva tinha realmente esta figura? Qual a sua verdadeira função?

Creio que nenhum líder religioso consegue elaborar um sermão SINCERO sobre o véu que se rasgou (Mateus 27:51, Hebreus 9), sem abdicar de 80% de suas atribuições e funções diante de seu "rebanho".

Diante deste pensamento, existem perguntas que grudam na minha mente:

Afinal, se o véu se rasgou, porque a figura de um pastor é tão forte?
Porque ele tem direitos e poderes de escolha tão centrados em suas mãos?
Foi isso mesmo que Jesus instituiu?

Se Jesus diz que: "toda autoridade nos foi dada no céu e na terra, ide fazei discípulos em todas as nações...", porque agimos como se esta autoridade fosse dada apenas a líderes? E porque nós julgamos ser esta liderança formada apenas por pastores, padres e sinônimos?

Se o véu rasgou e temos acesso a Trindade através de Jesus e temos nosso íntimo "traduzido" a Deus pelos gemidos inexprimíveis do Espírito Santo, porque não exercemos isso ao invés de vermos apenas líderes como homens de Deus?

Não nego o ministério do pastorado, mas vejo o pastor como uma "ovelha que sabe onde ta o pasto". Somos todos ovelhas, somos todos corpo. Cabeça a bíblia diz que é um só, Cristo. Se num rebanho existem ovelhas mais velhas e que já sabem como se relacionar com seu pastor, estas têm o papel de mostrar para as novas ovelhas como é que é ser ovelha.

Já vi alguns servos de Deus pregando sobre isso, e achei interessante a humildade deles em reconhecer este problema. Mas a maioria reconhece nos outros. Reconhecem no movimento neo-pentecostal, onde líderes se auto-denominam apóstolos. Enxergam a prepotência destes líderes em se igualar aos apóstolos da igreja primitiva, mas não enxergam a de se auto-denominar pastores. Denominação usada por Davi para descrever um dos atributos de Deus.

Não que seja errado chamar alguém com o dom do pastorado de pastor, mas muitas vezes "endeusamos" sujeitos que possuem este dom, e se temos todos algum dom, porque não apenas nos tratarmos como irmãos que são comandados pelo cabeça que é Cristo? (Mateus 23:8-10)

Na igreja primitiva não existia o pastor da maneira que temos hoje. As igrejas eram compostas por equipes de liderança. Não para centralizaem poder, mas porque é mais fácil organizar uma comunidade de pessoas elegendo líderes, principalmente quando se tem igrejas onde se convertem 3000 homens em apenas um sermão. Esta liderança era composta por apóstolos, pastores, diáconos, presbíteros, mestres, etc.

Posso estar muito enganado sobre o que vou relatar aqui, mas em minha visão as funções que cabem a cada um destes "cargos" relacionados no parágrafo anterior são:

Apóstolo - é o que no Brasil costumamos chamar de missionário. Missonário seria o termo em latim, enquanto apóstolo vem do grego.

São fundadores de igrejas, aqueles que levam o evangelho a regiões onde o evangelho ainda não chegou.

Se temos missionários, significa que estamos fazendo missão? Não! Missão é para todos os Cristãos. Missionário é aquele que vai a um lugar diferente para propagar o evangelho ali, pois ainda não foi propagado. Mas todos os outros cristãos fazem isso onde quer que esteja: no trabalho, em casa, no clube, numa balada...rs.

Pastor - é aquele que direciona pessoas, da um parecer para os que por alguma razão encontram-se perdidos em sua vida. Seja profissional, familiar, emocional, religiosa, etc.

Mestres -aqueles que normalmente pregam a multidões. Estes tem o dom do ensino. Falam de maneira de fácil compreensão.

Diáconos - são os que fazem o serviço social, que é responsabilidade de todos, acontecer. Entregam a ajuda doada por toda a comunidade às viúvas e famílias necessitadas, cuidam dessas famílias, expressam as necessidades delas diante da comunidade, para que a comunidade se envolva e providencie salvação em todos os aspectos. (pesquisar sobre Missão Integral ^^).

Presbíteros - homens que já atingiram maturidade espiritual, instruídos podem representar o povo nas decisões que devem ser tomadas. Precisam ser maduros espiritualmente pois isso garante que as decisões tomadas serão em prol da comunidade.

Todas estas funções estão ligadas ao dom de cada um que as preenche. Mas um requisito básico para todas elas é que cada um destes seja SERVO. Assim como Cristo lavou os pés dos seus discípulos, líder que não lava pé e não serve a comunidade, por natureza, não é líder. Mesmo que tenha fundado um templo, nomeado bispo, ou qualquer outra coisa assim.

A igreja moderna pegou todos estes dons e confiou a apenas uma figura: ao líder. Chame-o como quiser, ele desempenha esta função. Estamos então abarrotados de líderes que sabem exercer o diaconato, mas pregam mal que ninguém aguenta e ainda não estão dotados de maturidade espiritual o suficiente para perceberem isso. Temos mestres que ensinam muito bem, mas não conseguem clamar pelo povo, não enxergam a necessidade da viúva. O pior de tudo, temos líderes que deixam que o povo o veja como deus e abusam de autoridade (Ezequiel 34).

Tendo esta compreensão, a pergunta que fica agora é: O que fazer diante desta situação?

Espero que Deus me de animo, conhecimento e inspiração para continuar a escrever neste blog e talvez responder esta e outras questões.

Mas tenham um padrão e uma verdade absoluta em sua mente. O Senhor é nosso pastor, e nada nos faltará. Ninguém pode ocupar o lugar de Deus. Seu pastorado é inquesionável e tenha apenas Ele como pastor.

Talvez este texto afronte alguns, talvez deixe outros confusos. O que posso dizer é que busquem a Deus, busquem a Verdade, e ela vos libertará.

Graça e Paz
Carlos Zillner